
A palavra tem sua origem que vem do latim SINCERUS, “puro,
inteiro, completo”, de SIN, aqui com o significado de “um, único”, mais a raiz
do verbo CRESCERE, “crescer”, com
CERUS, “que cresce, que se desenvolve”,
resultando na ideia de algo que é sempre igual a si mesmo, sem qualquer
impureza, ambiguidade, reviravolta, surpresa. Sua primeira acepção no latim clássico
era “puro, que não tem mistura (…), de boa qualidade” (Saraiva).
Para compreendermos bem o que significa ser “Sincero”, vou
contar uma pequena história.
“Na Roma antiga, quando os escultores
concluíam uma obra de arte, especialistas avaliavam se era verdadeira, ou não,
verificando, se era feita de um único bloco (duma única pedra, ou
madeira), ou se havia emendas. Como, por exemplo, dos braços, cabeças, ou outras partes. Na época, as
diferentes partes da escultura eram “coladas”, com cera. Após a análise, os
especialistas diziam: é sin (sem) cera, ou com cera”.
Escondemos muitas coisas de Deus, dos outros e de nós
mesmos. Por que? Porque não somos sinceros, íntegros. Muitas daquelas
esculturas emendadas com cera, quando esquentavam muito se desmontavam. Algo
parecido pode acontecer conosco, quando não somos sinceros, autênticos. Um dia
a verdade aparece. Então se desmontam muitos castelos de sonhos.
Para quem é sincero, venha o que vier, aconteça o que
acontecer, receba a acusação, ou calúnia que for, nada tem a temer. Por isso,
antes de reclamar dos outros e das acusações e calúnias recebidas, a saída é “tirar
nossas ceras”, sendo sinceros. Perceberemos
que não ter sido sinceros, autênticos, verdadeiros, foi um engodo, um engano,
que terá seríssimas consequências para nós, por toda eternidade. Feliz daquele
que vive com pessoas que o “obrigam” a ser sincero. Ainda dá tempo de nos
consertar, O Senhor esta lhe dando essa oportunidade lendo esse livro. Não
perca tempo, abra o seu coração neste momento. Pare um pouco e medite.
A pessoa sincera deve ser verdadeira. É internamente
autêntica e verídica, e que mostra também para fora o que está dentro de si.
Não se dissimula diante dos outros, mas se
apresenta como é na realidade. É livre de cálculos e renuncia a intrigas de
qualquer espécie.
SINCERIDADE
COM O PRÓXIMO
É necessário que sejamos sinceros para com o nosso próximo,
mas falar a verdade não significa falar qualquer coisa “na cara” dos outros. A
verdade precisa da caridade e da prudência – que significa ter
consideração pelo outro em sua situação no momento. As vezes não percebemos que
no querer dizer a verdade, tem um motivo de vingança. É importante que a minha
verdade, exista uma sinceridade com relação às minhas próprias intenções – esta última se
pergunta se o outro é capaz de suportar a verdade.
Para que a nossa vida seja sincera, precisamos deixar que a
verdade de Deus ilumine a nossa sujeira interna para que o impulso se aclare, e
cada um consiga encarar serenamente a própria verdade das pessoas ao redor. Não
ser sincero é estar cego para a realidade de sua própria vida. Se eu fechar os
olhos diante da minha própria realidade, atravessarei a vida toda na cegueira.
Não conseguirei vê os meus erros. Não conseguiremos ser sinceros conosco, se
não entregamos a Deus. Diante de Deus sabemos que somos aceitos, da maneira que
somos. Diante de Deus, não precisamos fingir que somos melhores.
NOSSOS
DESEJOS E ASPIRAÇÕES
A grande confusão que se cria é do fato de considerarmos a
nossa vontade e a de Deus como contrapostas, como estando de algum modo
situadas no mesmo plano, ao passo que a vontade de Deus já está presente na
origem e no cerne de nossos desejos mais verdadeiros.
O desejo é essencial à vida. No desejo está a vida. Não é
possível matar, negar ou proibir o desejo, sob pena de tornarmo-nos
mortos-vivos. Também de maneira nenhuma podemos desejar de tudo, não importa
como, sob o pretexto de que o essencial é agradarmos a nós mesmos, dessa forma
estaremos caminhando para a destruição.
É preciso saber discerni entre necessidade e desejo. A
necessidade está ligada a noções de sobrevivência, de consumo. O ato que temos
de consumir suprime a necessidade. Mas, somos feitos também de desejos, devemos
esta atentos a esses desejos. A descoberto do nosso sentido de vida, vai além
da sobrevivência, sentido que ultrapassa a preocupação da posse.
Ao descobrirmos e reordenarmos nosso desejo, vamos passar
de uma relação de consumo a uma relação de comunhão, na qual cada um poderá
viver suas diferenças, respeitando as dos outros.
Por várias razões, diante da nossa história de vida,
podemos ter sufocado, extinguido, matado nossos desejos. Algumas pessoas podem
ter renunciado aos seus desejos por medo de viver, medo da sua própria
agressividade, de sua violência, de ter sucesso, de ser feliz, do sofrimento.
Alguns vivem impelidos por desejos que não são os seus
próprios, algumas vezes os desejos dos seus pais.
Na luz do Espírito Santo, seremos capazes pouco a pouco
deixar-se emergir ou até nomear aspirações e desejos autênticos, iluminá-los. Se os
consideramos como exteriores a nós, vivemos um conflito interior e, pouco a
pouco, ressecamo-nos.
AJUSTAR
NOSSOS DESEJOS EM DEUS
Conduzidos pelo Espírito Santo é que poderemos fazer
emergir os nossos desejos mais profundos. Teremos de viver um ato essencial,
que é pedir ao Espírito de Cristo que nos ajude a: “purificar”, “orientar”,
“ordenar” os nossos desejos.
Os desejos vêm do mais profundo de nosso ser; contudo,
nessa altura do trajeto, importa deixar ao Espírito toda a liberdade para
operar; importa aprender a escutar, a ser dócil. As duas grandes tentações que
temos será: recair na imagem do
Deus perverso, com todas as consequências que isso
acarreta, as tentações de chamar
vontade de Deus a todos os nossos desejos não purificados. Devemos
ficar sempre atentos, principalmente esse ultimo.
Ore neste momento pedindo ao Pai que derrame em seu coração
a graça da sinceridade.
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